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... o olhar de uma mulher, faz pouco até de Deus ...



Perfeito. Só que melhor.

Eduardo Marcel Maçan é um homem especial. Desde a primeira vez que nos encontramos, de minha parte, surgiu um carinho que aos poucos se tornou uma necessidade. As coincidências, as familiaridades e as compatibilidades, apenas corroboraram para selar o que já era nítido.

Sempre falo pra ele que, a distância nos é madrasta. Mas, pensando melhor, a distância nunca foi problema. Hoje, mesmo a mais de 400km de distância, ele conseguiu, mais uma vez, me nocautear.

O texto publicado hoje, em seu blog pessoal, é como a letra Amor Certinho do João Gilberto. É um tapinha de pelica e não foi inventado, mas foi negócio bem bolado pra mim.

Obrigada Edu.

Escrito por Fernanda Alves Chaves às 12h22
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Meu encontro com o Chico...

Entrei no camarim. Estava nervosa, afoita e encontrei o meu sexagenário dos olhos de topázio sentado, concentrado, olhando para o horizonte, se perdendo em pensamentos enquanto enrola uma fitinha de N.S. do Bonfin entre os dedos.

Ele sentiu meu perfume no ar, me olhou com o rabo do olho.
Eu me desconcertei, fiquei vermelha, perdi o chão, o rebolado, a vergonha... perdi tudo...

Lasciva, lúbrica, comecei a falar......

Fer: ...se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim...
CB: ...despudorada, dada, à danada agrada andar seminua...

Fer: ...o meu destino é caminhar assim, desesperada e nua, sabendo que no fim da noite serei tua...
CB: ...mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons...

Fer: ...eu quero a recompensa, eu quero a prenda imensa, dos carinhos teus...
CB: ...de todas as maneiras que há de amar, já nos machucamos...

Fer: ...deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar...
CB: ...que tanta cerimônia, se a dona já não tem vergonha do seu coração...

Fer: ...me ensina a não andar com os pés no chão...
CB: ...os passaros voam para ser sonho realizado dos que nao têm asas...

Fer: ...chorei, chorei, até ficar com dó de mim...
CB: ...ouça um bom conselho que lhe dou de graça, inútil dormir que a dor não passa...

Fer: ...vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso...
CB: ...é feito estar doente de uma folia...

Fer: ...tem dias que a gente se sente, como quem partiu, ou morreu...
CB: ...prefiro então partir, a tempo de poder, a gente se desvencilhar da gente...

Fer: ...ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que vc tem...
CB: ...saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão...

Fer: ...se uma outra pretendia um dia te roubar, dispensa essa vadia, eu vou voltar...
CB: ...o apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará...

Fer: ...te perdoo, por te trair...
CB: ...depois de um ano, eu não vindo, ponha a roupa de domingo e pode me esquecer...

Fer: ...não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem..
CB: ...eu levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde...

Fer (decidida): ... apesar de você, amanhã há de ser outro dia...
Fer (rancoroza): ... no fim da festa há de escutar meu canto, e vir correndo em pranto me pedir perdão...
Fer (recobrando a auto estima) ...pela rua virando lata, eu sou mais eu, mais gata...

CB (arrependido, questionando seu valor): ...o olhar de uma mulher faz pouco até de Deus...

Depois da conversa, fui embora, deixei o camarim. Ele, continuou lá, sentado, descruzou as pernas e empunhou seu violão, como se fosse chorar nos acordes, entre versos e prosas.
Alguns minutos mais tarde, as luzes do teatro se apagaram, ficaram apenas Chico e seu instrumento, um acalentando o outro, enquanto o silêncio tornou-se ensurdecedor....

Escrito por Fernanda Alves Chaves às 23h11
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